23/07/2012

Homem de bem

Com uma carreira internacional e paixão pelo cinema brasileiro, Rodrigo Santoro esbanja carisma e talento em qualquer idioma
Por Beatriz Salles

Rodrigo Santoro é um dos principais nomes de sua geração. Mesmo longe das novelas há quase dez anos – desde “Mulheres Apaixonadas”, de 2003 – ele consegue se manter no topo da lista dos atores mais queridos, competentes e solicitados do país.

Mas para que isso seja possível, a entrega é total. Aos 36 anos, Santoro não mede esforços para se adequar aos seus personagens no cinema, mesmo que tenha de emagrecer 12 quilos em poucas semanas, ou passar longas temporadas longe dos amigos e da família, em projetos internacionais. O próximo longa, aliás, já está agendado: em “300: A Batalha de Artemísia”, ele volta a interpretar o imperador Xerxes, de “300” (2006).

Nesta entrevista exclusiva, o ator fala sobre seus próximos projetos em Hollywood, de seus planos para a volta à TV e conta como lida com a curiosidade sobre sua vida pessoal.

Estar Bem: Você está com 36 anos, 18 de carreira, e é muito elogiado pelos seus trabalhos. Você acha que conhecer a si mesmo e a seus limites o ajudou a trilhar esse caminho?

Rodrigo Santoro: Acho que sim. Claro que tenho milhares de ansiedades, como todo mundo. Só que eu procuro ser equilibrado, ciente de tudo que faço. O Heleno [de Freitas, jogador de futebol que interpreta no filme "Heleno"], por exemplo, foi um homem de excessos que perdeu o equilíbrio, foi consumido pela falta da razão na vida. Sou o extremo oposto disso.

E.B.: E como você busca o equilíbrio?

R.S.: Ao longo da minha trajetória profissional – e mesmo pessoal – percebi que pode ser equivocado colocar o foco, as expectativas em como você vai ser notado. Quando a expectativa é colocada dessa forma, a probabilidade de não dar certo é muito grande. Não fico pensando em prêmios, por exemplo. Penso em realizar um bom trabalho. Se vier algo a mais vou gostar, claro. Mas não gosto do deslumbramento.

Estar Bem: Você faz ioga há um tempo. A atividade ainda é parte do seu dia a dia? Quais os benefícios da prática na sua vida?

Rodrigo Santoro: A ioga é uma aliada. Não apenas para o corpo, mas especialmente para a mente, para o equilíbrio mesmo. Procuro não deixar essa prática de lado. Mesmo quando não estou no Brasil, eu encontro uma maneira de fazer.

E.B.: Para atuar em “Heleno”, você emagreceu 12 quilos. Como foi esse processo? Precisou de muita determinação?

R.S.: Emagreci com exercícios e dieta rigorosa. Perdi peso ao longo das filmagens. Ia dormir com fome. É horrível dormir com fome. Mas não aconselho ninguém a fazer isso em casa, hein? Eu emagreci com cuidados e acompanhamentos de médico e nutricionista. Não dá para querer emagrecer assim sem responsabilidade. Acho que o grande problema, para mim, foi a oscilação do humor. O humor varia muito com a fome.

E.B.: E já recuperou o peso perdido?

R.S.: Ah, isso é rapidinho (risos).

E.B.: Em “Heleno”, você interpreta o jogador de futebol Heleno de Freitas. Precisou fazer laboratório para se sair bem na pele de um esportista?

R.S.: Dei uma treinadinha, mas o filme é muito mais sobre o Heleno e a história dele do que um filme com a intenção de mostrar e relembrar grandes jogos. Fiz uma preparação com o ex-jogador Cláudio Adão, que já havia preparado alguns atores. Ele deu alguns toques para eu ter alguma noção. Os amigos da “pelada” de fins de semana agradecem. Hoje em dia estou um pouco melhor (risos).

E.B.: E como foi trabalhar como produtor?

R.S.: É o filme que mais me envolvi. Além de ter atuado, fui produtor. Desde que recebi a proposta do Zé [o diretor José Henrique Fonseca] até o lançamento foram mais de cinco anos. A expectativa é grande e espero que o público descubra esse personagem incrível, patrimônio do futebol brasileiro. O filme já foi apresentado em festivais lá fora, como o de Havana (Cuba), e talvez seja distribuído na Europa. Mas eu torço mesmo para que ele faça uma bonita trajetória no Brasil.

E.B.: Frequentemente aparecem rumores de que você está com alguém [um dos mais recentes foi com a atriz e cantora Jennifer Lopez, com quem contracena no filme “O que Esperar Quando Você Está Esperando”]. Esse tipo de especulação sobre sua vida pessoal te chateia?

R.S.: Não me incomoda. No começo da carreira, quando comecei a lidar com a fama e a curiosidade das pessoas sobre a minha vida, sim, incomodava. Não sabia como agir. Hoje em dia estou bem mais tranquilo. Quando tem uma pergunta que não quero responder simplesmente digo para pular para a próxima ou falo alguma coisa completamente diferente do que me perguntaram (risos).

E.B.: Seu próximo trabalho internacional será mesmo a continuação de “300″?

R.S.: Já chegamos a um acordo verbalmente. Mas só costumo dizer que está tudo certo quando o filme está na tela (risos). Acho que o termo exato não é continuação, nem sequência. A história reúne algumas batalhas que acontecem ao mesmo tempo da história do filme anterior, como se fosse outro ponto de vista. Vai se chamar “300: A Batalha de Artemísia”.

E.B.: Cobram muito sua volta para a televisão. Depois de ter participado de “As Brasileiras”, tem mais algum trabalho em vista?

R.S.: Gosto de fazer uma coisa de cada vez. Mas, por enquanto, não tenho nada programado. Fiz “As Brasileiras”, interpretei um meliante carioca que anda pelo Nordeste praticando pequenos roubos. Na TV, ainda vou voltar às novelas, mas ultimamente tenho preferido os trabalhos mais curtos. Existe a possibilidade da volta de “Homens de Bem”, telefilme que fiz com Débora Falabella e foi exibido como especial da grade de fim de ano pela Globo no ano passado. Mas ainda não há nada definido.

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